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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Eu não sei quem te perdeu. (*)

O carinho vai e vem, e o que disse ontem já não digo hoje. O que disse hoje, já não digo amanhã.
Podes ter a certeza de que aquilo que eu sentia ainda na semana passada, está completamente mudado. Não há nada que se compare ao agora, e tu sabes o quanto me continua a custar ver-te e ignorar-te. E só o faço porque tu me pediste que o fizesse, porque se fosse por minha vontade eu ia ter contigo como sempre.
Mas sabes? Cada um tem o que merece, e pelos vistos eu mereço isto. Mereço isto e se calhar muito mais.
Não sou inocente nenhuma e não vou fingi-lo.
Tu também estás a ter o que mereces: apoio, carinho. E sabes que eu não te quero mal, pelo contrário. Mas não sou paciente o suficiente para esperar que tu reconheças que se calhar eu te faço falta. Ou talvez até não te faça falta nenhuma, mas gostava que me dissesses se faço ou não. Se sentes a minha falta. E se não o disseres...olha paciência, vou ter de aprender a viver sem isso.
Eu sei que no fundo, não me queres assim tão longe quanto isso, mas tens medo. Tens medo porque já te magoei e não queres voltar a passar pelo mesmo, eu percebo. E se estivesse no teu lugar era igual.
Mas já basta o que basta, não é necessário continuar a fazer malabarismo com os nossos sentimentos. Não é necessário nem é possivel. O meu coração já não aguenta mais pressão, já não aguenta mais erros (de si mesmo) e de outros.
Aprendi muito contigo, mas talvez seja altura de fazer o que mais me pedes: esquecer. Talvez seja o melhor, mas primeiro gostava muito de saber se de facto sentes a minha falta. E eu sei que o dia ainda não acabou e ainda te vou ver e ouvir outra vez, sei que não te vou falar. Eu aceitei o que me pediste, aceitei quando me desejaste boa sorte para a minha vida e foste embora. Eu aceitei e não fiz nada para que tu não tivesses de me pedir isso. Eu só disse que não queria fazer as coisas de modo tão..definitivo.
Eu aceitei quando tu disseste que não se faz o que eu fiz, aceitei que me dissesses que eu não mereço nada de ti, e eu sei que tens razão.
«E eu não sei quem te perdeu. Abraçou-me como se abraça o tempo, a vida num momento.» 
«A vida num momento, em gestos nunca iguais. »



(*) Pedro Abrunhosa- Eu não sei quem te perdeu

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