O destino e o verbo "fugir" não andam de mãos dadas.E como tal, a Vida funciona como uma arma carregada de balas.
Vamos deixando o tempo passar, vamos perdendo noção. Vamos deixando pessoas para trás como se fossemos matando memórias,vamos matando mentalmente os causadores da nossa dor e vamos matando os desamores porque aos amores queremos que estejam por perto.
Vamos disparando sem acertar e é por isso,pela falta de pontaria, que temos muita gente por perto. Sim porque há dias que nos apetece matá-los a todos e nesses dias temos que aprender a engolir sapos e a consentir. E quando nos dizem "calma, vai passar" ... eu sei que vai passar mas não mo digam, não preciso que me digam o que vai acontecer. Por vezes é melhor não dizer nada, respirar apenas seria o ideal nessas alturas.
Vamos tentando acertar nos outros e por vezes virámos a arma para nós, pomos o dedo no gatilho e falta-nos a coragem. Se houvesse coragem não existia distinção entre "fracos" e "fortes".
Vamos segurando as balas dos outros,vamos sobrevivendo aos ataques mais ridículos. Há dias em que não há espaço para viver o que temos porque estamos ocupados a sobreviver à custa do que já não temos.
E um dia vai restar uma bala e vamos pensar qual a melhor forma de a usar e aí..oh aí..arrumámos o estojo, guardámos a arma e seguimos caminho à espera de lhe dar o uso certo. Mas com o tempo a arma desgasta-se e quando chega a altura de a voltarmos a usar ela não dispara. O tempo estraga o seu efeito assassino. Mas assassinos de nós próprios somos nós e não há prisão que nos pare.

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